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Pix Parcelado Pode Otimizar Fluxo de Caixa e Agilizar Transações Empresariais

Pix parcelado pode melhorar fluxo de caixa e agilizar transações

Modalidade, adiada pelo Banco Central, surge como alternativa ao uso do cartão de crédito

Ainda sem data de lançamento definida pelo Banco Central, o Pix parcelado representará uma nova forma de pagamento e obtenção de crédito que permitirá o parcelamento dentro de uma transação Pix. Como resultado, o recebedor terá o valor total transferido instantaneamente, de maneira rápida e segura, enquanto o pagador assumirá o compromisso de quitar o montante através de parcelas ao longo de um período determinado. ‘Para empresas de médio porte, a regulamentação ampliará as oportunidades de negociação entre companhias, clientes e fornecedores’, afirma Paulo Duailibi, diretor de empresas do Santander.

De acordo com ele, com essa funcionalidade, as empresas poderão oferecer novas condições de pagamento, estimulando o consumo e otimizando o fluxo de caixa. Em uma analogia, assim como o Pix se tornou alternativa às transferências via DOC, o parcelado pode ocupar espaço similar ao do cartão de crédito, inclusive para organizações. A expectativa é que o novo modelo esteja disponível em 2026.

O Pix parcelado constituirá um novo produto, independente do limite de cartão de crédito do cliente e uma opção para empresas substituindo a emissão de boletos para fornecedores. ‘Esse modelo pode trazer maior organização para o fluxo de caixa das empresas, além de possibilitar a negociação de melhores condições comerciais com seus fornecedores’, declarou ao Valor o Itaú.

Segundo o Banco Central, o Pix, criado em novembro de 2020, movimentou em 2024 mais de R$ 26 trilhões e alcançou recorde de transações em um único dia, superando 227 milhões de operações. ‘A experiência com o Pix original foi muito positiva e bem adotada. É um excelente indicativo de que o parcelado pode seguir o mesmo caminho, incluindo na utilização por médias empresas’, comenta Jorge Azevedo, especialista em gestão de crédito e risco.

Simplicidade operacional

Para os parceiros comerciais da média empresa, o parcelamento funcionaria como uma linha de crédito alternativa, com maior flexibilidade e simplicidade operacional. ‘Essa dinâmica tem potencial para reduzir a dependência de linhas tradicionais de crédito, além de tornar as transações entre empresas mais ágeis e previsíveis’, destaca Duailibi. O fornecedor poderá, por exemplo, em vez de oferecer pagamento por boleto, optar pelo Pix parcelado. ‘Será uma alternativa de liquidez’, observa Azevedo, sem descartar a possibilidade de a empresa negociar com os bancos uma linha de crédito tradicional mais barata, caso seja mais vantajosa.

Segundo especialistas, a modalidade também pode impulsionar as vendas das empresas como um todo. ‘No final, ele atinge segmentos que não estavam sendo atendidos, ampliando o número de pessoas com acesso a essa ‘linha de crédito’. Quem não possuía cartão de crédito passa a ter o Pix parcelado’, explica Azevedo. O risco do crédito deixa de ser do lojista (como ocorre com o boleto) e passa a ser do banco. ‘Com esse canal, também é possível comercializar produtos de valor mais elevado para alguns clientes que provavelmente não teriam limite ou acesso a outras opções de financiamento’, complementa.

Parece, mas não é um cartão de crédito

Duailibi enxerga o Pix Parcelado como uma nova alternativa de crédito, mas com características distintas do cartão. ‘Acreditamos que o mercado deve ter autonomia para definir condições comerciais, taxas e modelos de crédito conforme o perfil de risco e estratégia de cada participante. Dessa forma, as condições de juros e encargos não necessariamente se equiparam às do cartão, podendo, inclusive, representar uma opção mais simples, transparente e integrada à jornada digital de pagamentos.’

Do ponto de vista do risco do emissor, tanto no Pix parcelado quanto no cartão de crédito o banco assume a inadimplência do cliente, mas a lógica operacional difere. No Pix parcelado, cobra os juros diretamente do consumidor e passa a carregar integralmente o risco do parcelamento dentro da própria estrutura do Pix, que não envolve bandeiras nem credenciadoras. Já no cartão de crédito, o risco também é do emissor, mas envolve um ecossistema mais complexo — com bandeiras, regras de liquidação e eventuais taxas de antecipação — em que o lojista recebe geralmente em 30 dias (ou antes, pagando por essa antecipação) e o banco emissor arca com o risco do não pagamento das faturas.

‘Vemos o Pix parcelado como mais uma camada de inovação dentro do ecossistema Pix, oferecendo ao cliente uma solução diferente para cada contexto, seja ele pagamento à vista, com crédito, parcelado ou automático’, afirma o Itaú. As regras da modalidade serão estabelecidas pelo Banco Central.

‘Será um desafio para o Banco Central, principalmente no que se refere a proteger o sistema contra fraudes usando o Pix parcelado, papel que não é apenas dele, mas do sistema como um todo’, pondera Azevedo. O adiamento do lançamento da modalidade teria sido impactado por ataques hackers em setembro a empresas que realizam conexão entre o sistema financeiro e o Pix, com o objetivo de aumentar a segurança do novo produto.

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